O Instrumento

 Sanfona de 8 baixos, Pé de Bode, gaita ponto, consertina…

8 baixos

Instrumento de origem européia, trazido por colonos ao Brasil, a sanfona de oito baixos se popularizou como grande animador de bailes e festas por todo o território nacional. Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Hermeto Pascoal e Sivuca, deram suas primeiras notas musicais nesta sanfona.

No Brasil, a difusão da sanfona ocorreu após o fluxo de imigração alemã e italiana no século XIX, ocorridas com maior intensidade, respectivamente, nos anos 20 e 70 daquele século. Depois da Guerra do Paraguai o instrumento se difunde ainda mais e se consolida na cultura nordestina, pelo intercâmbio de soldados sulistas e nordestinos.                   Dentre os soldados que trouxeram as influências sulistas encontra-se o próprio Luiz Gonzaga. Nessa época o toque dos 8 baixos de Januário, seu pai, eram lembranças da infância de Gonzaga, representando parte do repertório tradicional nordestino. Foi inclusive das músicas do fole de seu pai, que Gonzaga absorveu e adaptou letras e melodias que se tornaram grandes clássicos em sua obra. Sabe-se que a sanfona de 8 baixos teve uma entrada no Brasil anterior à do acordeon, porém são raras as informações relativas a este período.

As sanfonas de botões têm sido veículos da extraordinária musicalidade da cultura popular, todavia o acordeon de 120 baixos, com teclado à semelhança do piano, vem colocando em risco sua sobrevivência. O predomínio dos acordeons é flagrante, tanto nas apresentações como no volume de gravações e no conhecimento do público. As sanfonas de botões ficam limitadas à apreciação apenas como instrumentos folclóricos, representantes de um passado bucólico e distante, mensageiros de um Brasil desconhecido. No entanto, não se trata de passado, mas da presença peculiar e vigente, da cultura do homem do interior brasileiro.

Conhecido pelo seu carisma e temido pela sua dificuldade técnica, a sanfona de 8 baixos vive um momento de ressurgimento no cenário cultural e acadêmico. São geralmente aqueles mais velhos que preservam essa tradição e já perdemos diversos tocadores de grande importância como Abdias (de Taperoá-PB, falecido em 1991), Baú dos 8 Baixos (de Caruaru-PE, falecido em 2002)  e Arlindo dos 8 Baixos, (da Paraíba, falecido em 2014). Porém, jovens instrumentistas e aprendizes, estudiosos, amantes do instrumento e seus mestres, apoderam-se da ancestralidade e da poesia que um bom “piado-de-gaita” proporciona e investem  seu tempo e sua vida para a divulgação do instrumento.

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